Loki e o Parsifall

Um dialogo entre o Loki e Parsifall

Resposta — 28 de outubro de 2016

Resposta

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como um grave que atravessa a música
provocando um arrepio
o primeiro mergulho de primavera num rio
ou tempestade a se formar no horizonte
a violência do mar bravio a noite
tranquilidade d’agua na fonte

aceleração brusca, não esperada
ou frear de reflexo e susto
nada explica a fascinação ou desamparo
as comparações possíveis são vazias
e faltam profundidade
para descrever como seria
uma queda livre no espaço

Invocação — 20 de setembro de 2016

Invocação

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Dava tanta coisa, dava nó de nós
De nós, de eu
Caeu – Liniker & Os Caramelows

misterioso cheiro de âmbar
a arca trazida de Sabbah
tua beleza invocará

o retumbar do mantra vibrando
transforma e acaba solidificando
aquilo que não é e será

barco ao encontro do destino
batendo em frente o infinito
rápido como esse chamado será

Midweek Blues — 14 de setembro de 2016

Midweek Blues

smiths

So tell me how long
Before
The last one
Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me – The Smiths

Feitos de bolhas de sabão
como todo amor,
estão quase livres a voar
esperando a colisão com o real
ou desvanecer no  ar

Feitos de sonhos soltos
como toda a paixão,
estão no verge de se realizar
esperando o mais leve estremecer
pra ser esquecido ao acordar

Ao lugar dos desejos insatisfeitos
dos livros que não foram escritos
as memórias não vividas dançam
junto aos sentimentos escondidos
ao som das caixas de músicas quebradas
a vista do improvável e do invisível

Em termos, entornos — 28 de março de 2016

Em termos, entornos

espelhos

 

Atravessou a porta sem esperança
refletiu no umbral antes da passagem
qual seria a imagem que iria encontrar

Um poço sem poder medir a profundidade
da estagnação da agua pútrida acumulada,
um sem fim da sede que não poderia saciar

E qual o remédio dado ao curador?
que fonte alimenta a escondida nascente
que feitiço encanta o prestidigitador

Eu me lancei sem consciência
na loucura do seus olhos de criança
onde não podia me enxergar

Atirado ao óbvio, oblívio da ignorância
soluçando e chorando, em dor frequente
confundindo despreparo com amor

me perguntava:

De onde surgem as ideias e certezas
a natureza é escondida ou revelada
quem pode curar o curador?

Here I am expecting just a little bit too much from the wounded
But I see, see through it all, see through, see you
– 3 Libras – A Perfect Circle

Negando — 18 de maio de 2015

Negando

Eu nunca fui das palavras comuns,

Dos versos mais simples
Eu nunca fui das medidas seguras,
escolhas mais fáceis
ou respostas impecáveis
Com a única coragem de admitir o medo
E sem necessidade de fingir-se forte
Eu nunca segurei o choro
Nem deixei de confiar na sorte
Sempre preferi a dor, a descrença
Uma inconveniente inocência,
Eu nunca fui o cínico satisfeito
Hão de me encontrar desolado
pois recuso a vestir armaduras,
E me nego a andar armado
Seguirei nu o caminho solitário,
A cada tropeço, e ferida
Em toda a luta mal fadada,
Guardarei das negativas a mais clara
Eu nunca desistirei da caminhada
Somethings — 8 de dezembro de 2014

Somethings

tardis2

Something old,
something new,
something borrowed,
something blue,
and a silver sixpence in her shoe.

Muda a matéria da vida,
Mas ficou congelado,
Nas áridas geleiras
Um sonho precioso
Como algo do passado,

Ventos solares,
Enchendo as velas do futuro
Que se desdobram sobre o todo
Mostram um coração pulsando outra vez
E este é meu algo novo,

O que foi tirado,
E destruído, forçado e corrompido
É devolvido por diversos sorrisos diferentes
Sendo assim, não pode ser comprado
Fazendo, esperança meu algo emprestado

Minha sanidade se desfaz
Como a caixa de outro louco,
Correndo pelo espaço
Atravessando norte e sul,
No formato da bela das tardes,
Faço do tempo meu algo azul

E a moeda é a terra,
Pedaços de pão
Pequenos sinais pra indicar o caminho
Que não diz se andaremos juntos,
Ou voltarei eu sozinho?