E de tudo sabia, o nada realizava
Tudo movia, com nada a conhecer
Como é estranha a natureza
Morta dos que não têm dor
Como é estéril a certeza
De quem vive sem amor, sem amor
Cazuza – Completamente Blue
E de tudo sabia, o nada realizava
Tudo movia, com nada a conhecer
Como é estranha a natureza
Morta dos que não têm dor
Como é estéril a certeza
De quem vive sem amor, sem amor
Cazuza – Completamente Blue
Como viver de poesia?
E de poesia viver, por que?
Se essa tal de poesia é uma puta,
Rebola em meu colo quando tem vontade
De lábios molhados, me beija com paixão
E o preço? Cobra, tão caro essa vadia
Serpente edênica! Faz ter cores onde não havia
Não me nega nada. Mas rouba minha visão
A prosa coitadinha é tão boa
Porém melindrosa, pudica, cheia de nove horas
Poesia enche a boca, geme, grita e goza
Sem seu ruge nos meus dias agonizo
Sem a cadência de seu corpo e seu tesão
Você só pode ser diábolica e satânica
Vicio tremendo de minhas mãos
Por ti, largo tudo que conheço
Troco corpo e alma de amigos
Pra viver a vida inteira tua paixão
Eu não acredito em amores!
Amores são brinquedos de plástico
Bonecos dançando na noite sozinhos
As vezes por cordas, outras marionetes
Eu não acredito
Por que nada muda na praia tranquila
Na boca fechada, que permanece mentindo
Pensamentos pra sí mesmo
Ou melhor, eu não acreditava;
Pois olhos não refutam o que sabem
Tato percebe o que não compreende
Esconde o rosto de Safo
A poetisa,
Belezas que outros mal julgaram
Quero isso também, revolto oceano
Mudando essência
A beleza do vermelho e verde intenso
Claro
Beijos que contam segredos a alma
Sorrisos
Como o farfalhar de asas d’anjos
E hoje sonho muito mais
E durmo bem tranquilo
Som
Quebrado, onde estou?
Sua batida não me ensinou
Do que sou composto
Toda a via
Vida toda contada, em palavras
Por outras bocas cantadas
Entre silêncios e pausas
É assim mesmo,
No guarda chuva, ou na escada
Que leva ao paraíso,
Alucinado em campos de morango
Ou por Vinicius
Meus laços e vícios
Pá, lavra outras, que estão
Pronfundamente guardadas
Grudadas em insconcistências
Coletivos
Na constelação:
Porta do meus sonhos
Que vão ao infinito as vezes calmo
Rebanho bisonho
Em outras como estouros de manada
Clara como a luz do sol
Clareira luminosa
Nessa escuridão
Bela como a luz da lua
Estrela do Oriente
Nesses mares do sul
Clareira azul no céu
Na paisagem
Será magia, miragem, milagre
Será mistério
Ei-ela de ser
Seria o que
Mulher,
Metade
Recebe o por de só-is nas margem
Mar de horizonte e vertigem
Poço que sustém a vazante
Sábia
Mergulha intensamente
Mais fundo
Pra transformar clara idéia
Em escuridão palpavel
Cisne,
Além desta porta quem conhece?
Fez-se mel, abelha calma
Pode realizar qualquer mistério
em tua alma
pois é intima
Arte
Percepção
As ondas vão e vem
E vão e são como o tempo
Luz do divinal querer
Seria uma sereia ou seria só
Delírio tropical, fantasia
Ou será um sonho de criança
Sob o sol da manhã
Li, neste caso fica um post de aniversário para você, é preciso em primeiro lugar agradecer por tudo o que você me ensinou e pelo nosso tempo de convivência ser tão produtivo sempre. Mais que isso, por você me ajudar mesmo em horas díficeis e conturbadas.
Caçador,
Formas estranhas e céu estelar
Foste vigiado e está a cair
Na armadilha de presa findada a tí
Caçadora,
Iludida por tudo que clareia
Desespera e desdispara as flechas
Dos lugares que não pode observar
Vão atrás dos dois,
Em tempo certo, a criatura da seca
Do deserto
Engolindo o próprio veneno insular.
Mas olhe bem,
Não há seu inimigo de alcançar
O que sobe ao infinito não deteriora
É sempre fúgido e parte brevemente
Separados de suas vidas eternamente
Vivendo como memória
I was five and he was six Bang bang, he shot me down Seasons came and changed the time
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down
When I grew up I called him mine
He would always laugh and say
“Remember when we used to play
Cheiro da carne misturada com as frutas descascadas e apodrecidas na cozinha, o amarelo da toalha de mesa, e o vermelho da camisa dele suada. Moscas. A geladeira aberta e tudo o conteúdo em seu interior uma completa bagunça, e um pedaço de cano enfiado entre duas prateleiras. Dois copos quebrados no chão. Meu prato, também quebrado, esse sobre um pequeno guardador de loça. O tempo lá fora é quente. Se olhar no calendário não saberia dizer que dia é hoje. Só existe aquele cômodo na casa, e minhas mãos sangrando e cada articulação, pincipalmente meus ombros e costas doendo como o inferno. E ele:
– Ele em cima da mesa.
Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down”
Music played and people sang
Just for me the church bells rang
Now he’s gone I dont know why
Until this day, sometimes I cry
He didn’t even say goodbye
He didn’t take the time to lie
Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down
A música é da Nancy Sinatra e pelamordedeosquenãoexiste ouçam! Nome do post roubado obviamente de um profile do Orkut de meu querido amigo Bruno Corvo. Ficam os créditos a ele e de quem ele tenha pegado a frase, se pegou.
E um dia se atreveu a olhar pro alto
Tinha um céu mas não era azul
No cansaço de tentar, quis desistir
Se é coragem eu não sei
Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência.
E um dia desistiu, quis terminar
Só mais um gole, duas linhas horizontais
Sem a menor pressa, calculadamente
Depois do erro, a redenção
Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência.
(Pitty- Pulsos)
Lavou as mãos pela a enésima vez e se sentou no sofá, seu rosto estava um pouco soado e as mãos frias. Mas uma perfeita calma dominava seu interior, colocou no som um cd com as coletâneas de sua época do ginásio, estava ouvindo cada música como que toma um sorvete, saboreando o gosto característico de cada memória.
Um sono leve e gostoso estava tomando conta, primeiro de suas pálpebras e descendo para os membros inferiores. Tomou mais um gole de whisky, deitou-se no sofá acolhendo em posição fetal, colocou o cobertor vermelho sobre o corpo.
E foi então que meus olhos perceberam milhares de terras na minha frente, e dentro dessas terras um cubículo minúsculo e apertado, cheio de quinquilharias largadas, e uma mulher, exatamente a mulher que eu queria ser, bonita e bem vestida, exalava confiança olhou fixamente para mim e disse:
- Pergunte
E eu atônita disse: – O que?
- Essa já é uma pergunta, me respondeu ela, sem demonstrar nenhuma emoção. E continuo sem ênfase, sem entonação, como quem termina uma conta de matemática
- que você absolutamente sabe a resposta
- Morte? Ofeguei nervosa
- Sim morte e mais uma coisa, que acho que você também já sabe
-Julgamento, sentencie a mim mesma.
E a essa altura meus lábios e braços estavam gelados e tremendo, e eu não conseguia mais encarar aquela mulher, aquele reflexo no espelho distorcido e ampliado para uma coisa que era diferente de mim, e ao mesmo tempo, a colagem que eu queria montar durante a vida inteira. E quanto mais o tempo passava naquela região, eu tinha fragmentos de lembranças, ouvi uma porção de vozes. Minha memória parece que sentiu o erro em vários lapsos de tempo.
-Quem é você? Dessa vez tinha certeza, que era a pergunta certa a se fazer.
- Poderia dizer que sou o Anjo julgador do senhor se você fosse católica, ou Anúbis se você fosse egípcia, porém na verdade só sei esses nomes por que você os conhece. Mas Sou antes de você vir a estar neste mundo. Portanto pode me chamar de sua ligação neural mais primitiva, seu superego, a ligação com o inconsciente, não importa o nome, eu sou sua parte que liquida os valores e equilibra sua equação nessa vida.
– Eu, eu – e a partir daí só gaguejei. Fechei meus olhos e chorei, tinha sido estúpida, acreditei que nada haveria do outro lado, fiz tantas coisas ruins, magoei pessoas que amava, fui rude, nem rezei durante todo o meu tempo na terra.
- Justamente! Disse ela – e nada disso era necessário, os que sofreram também escolheram assim, os que em lágrimas caíram queriam cair.
Então abri um meio sorriso por que acreditei que estava salva, iria para o paraíso, mas algo mais profundo sabia que não, algo ainda estava errado.
- Sim está eu lhe falei durante toda a vida o caminho a qual seguir, como você devia transpassar certas ocasiões e o que aprender e o que deixar. Mas você, carrocinha preguiçosa, escolheu o relaxamento apenas, não aprendeu minhas lições, minhas sístoles e diástoles.
Me exasperei profundamente com essa afirmação, realmente eu tinha ouvido certas coisas durante a minha vida, alguma delas com certeza teriam transformado minha vida em uma coisa muita mais dolorosa e sombria.
- Novamente você está certa (dessa vez ela quase pareceu triste quando falou) mas não me importo com os sentimentos desenvolvidos mas sim em eliminar seus limites, você poderia ter aprendido comigo e hoje não existiria mais diferenças entre nós, seriamos uma. Porém suas portas estavam fechadas e você se limitou a muitas coisas.
- O julgamento está feito já? Eu não posso me defender? Estou sendo injustiçada, isso é um ultraje. Mas verdadeiramente não era assim que me sentia, sabia que devia ser punida, e estava até feliz por causa disso.
- Já. E a Tua Vontade mandou que ficasse no cubículo que criou para ti, e viva lá até se dissolver e voltar a Mim.
- Mas eu tive partes boas, eu experimentei muitas coisas eu vivi.
Só conseguia agora pensar nisso, como todo o sofrimento e dor que passei tinham sido bons também, cada coisa seu gosto, e mesmo o amargo era bom.
-Essas partes já estão comigo, fica você espectro do que foi antes e aprende, quando terminar só haverá estrelas e universos e você não será mais nada, e ainda sim será todas as coisas ao mesmo tempo.
E horas depois ela foi encontrada em sua casa sem vida, uma porção de pílulas que levaram até seu sono embora, muitos não entenderam o porquê e o como ela partiu, outros sofreram por ela. Alguns nem se dignaram a vê-la, e na verdade ela não tinha feito diferença para quase nenhum deles, entretanto o universo antes de abraçá-la com certeza a reconheceu.
Parto, de um verso caiado
Ilustres em cores já cansado,
Fazendo em rimas desperdícios
Raros,
encontros de palavras com armistício
Compro omisso, vendo certo
Por poço farto um deserto
Desarte ninguém olha atento
Para ver redemoinho ou palavra vento
Varrendo o chão com turbulência
E quando cai como raio; consciência
Navega plácida por entre escombros,
Toma o que é seu
Ostenta sua vitória ou dá de ombros
Por fim, está aquilo
É que, homem, mito, o que digo
Faz parte do mesmo verso branco
Que não tem fim no quanto findo
Estávamos no entardecer pleno em mundo cheio de sol
Minhas mãos sobre as suas, respirações contadas, até pensar:
“- O que é essa felicidade simples e como o poeta a chamou?”
E sentiu uma dor tremenda, por saber que a pergunta o acordou
Mas ele ainda via a cor do arrebol, sentia mais preenchido que nunca
E não estava só
Estou num período bem criativo é verdade, então vou atualizar sempre que puder pra não perder o costume. Espero opiniões podem mandar em qualquer texto, acho que preciso escrever pelo menos mais um para descrever os processos criativos